Em 28 de março de 1968, os estudantes do Rio
de Janeiro estavam organizando uma passeata relâmpago para protestar contra a
alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no
final da tarde do mesmo dia.
Por volta das 18 horas, a Polícia militar chegou ao local e
dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se
abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando
paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta.
Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da Legião
Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os
estudantes, que fugiram.
Os policiais acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos e acabaram
por invadir o restaurante. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM,
aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro
a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, chegou a ser
levado ao hospital, mas também morreu.
Temendo que a PM
sumisse com o corpo, os estudantes não permitiram que ele fosse levado para o Instituto
Médico Legal (IML), mas o carregaram em passeata diretamente para a Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. A necrópsia foi feita no
próprio local pelos médicos Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos na
presença do Secretário de Saúde do Estado. Seu óbito de n° 16.982 teve como
declarante o estudante Mário Peixoto de Souza.
O registro de
ocorrência n° 917 da 3ª Delegacia
de Polícia informou que, no tiroteio ocorrido no restaurante
Calabouço, outras seis pessoas ficaram feridas: Telmo Matos Henriques, Benedito
Frazão Dutra (que morreu logo depois), Antônio Inácio de Paulo, Walmir Gilberto
Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento e Francisco Dias Pinto. Todos atendidos
no Hospital
Souza Aguiar.
O Rio de Janeiro
parou no dia do enterro. Para expressar seu protesto, os cinemas da Cinelândia amanheceram
anunciando três filmes: A noite dos Generais, À queima
roupa e Coração de Luto. Centenas de cartazes foram colados na
Cinelândia com frases como "Bala mata fome?", "Os velhos no
poder, os jovens no caixão" e "Mataram um estudante. E se fosse seu
filho?".
Edson Luis foi enterrado ao som do Hino Nacional
Brasileiro, cantado pela multidão.

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