domingo, 26 de agosto de 2012

Romanceiro da Inconfidência


Cecilia Meireles inovou, ao escrever seu Romanceiro da Inconfidência. Pegou de um tema abrangente, histórico, até certo ponto nacional, coisa que não tinha feito antes.

É com o Romanceiro da Inconfidência que ela passa a exprimir o drama da liberdade em sua luta contra os poderes tirânicos. Tudo indica que — aí sim — ela de fato deu corpo àquele "impulso de investigação temática" que lhe faltava, senão no plano da reflexão (= da filosofia), pelo menos no plano das emoções e dos mais altos sentimentos humanos.
É verdade que uma investigação temática (= mergulho "reflexivo" no assunto) pressupõe igualmente um mergulho da alma na natureza dos fatos, e, portanto, uma reflexão sobre aquilo de que se está falando. Ora, Cecilia fez isso com a sensibilidade, com a comoção humana.
 
Trechos do livro:

Não posso mover meus passos 
por esse atroz labirinto 
de esquecimento e cegueira 
em que amores e ódios vão: 
(...)
 

No entanto, deve-se observar que, por ser uma autora moderna, Cecília não se prende totalmente a esse modelo. Vale-se, também, de versos mais curtos, de quatro sílabas, como em “Fala aos Inconfidentes Mortos”: 

Treva da noite, 
lanosa capa 
nos ombros curvos 
dos altos montes 
aglomerados... 
(...) 

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